Friday, December 27, 2013

A força

Diz-se que sou forte. Eu acho que sou. Mas não o sou sozinha, porque acredito que sozinhos não somos nada. Não fomos feitos para estar sozinhos, por isso vivemos em sociedade, em comunidade; por isso nos juntamos - casados ou não - e temos filhos, criamos famílias, rodeamos-nos de pessoas que gostam de nós, que muitas vezes dependem de nós; criamos laços afectivos, envolvemos-nos emocionalmente e isso motiva-nos, dá-nos força e faz-nos viver. É isso que nos motiva: as pessoas e os sentimentos que por elas sentimos, nada mais. Por isso sou forte, porque não guardo para mim o que não me faz bem, porque tenho esta necessidade de partilhar, de repartir, de procurar os outros, de viver muitas vezes para eles, de perseguir a tranquilidade, a consciência, a paz, a explicação e a clareza de todas as situações; porque as desmonto na minha cabeça até encontrar um motivo, um sentido, ainda que seja eu que o esteja a construir e que apenas exista para mim. Sou forte porque bebo dos outros, vitórias e derrotas que guardo comigo num canto de inspirações. Sou forte essencialmente porque nunca estou sozinha, porque tenho sempre Deus comigo, que me carrega tantas vezes ao colo, deixando apenas um só trilho de pegadas na areia e me ajuda a recuperar nesse descanso. Sou forte porque tenho ao meu redor pessoas sãs, que me ajudam a compreender, a racionalizar, a recuperar, a digerir e também a perdoar. Sou forte porque tenho que ser, porque Deus assim o quis e assim me fez, para percorrer um caminho que é meu. Nada é por acaso, eu sempre acreditei. Agora posso não ver, mas um dia irei compreender.

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