Friday, October 18, 2013

Recebi uma mensagem do Oso a dizer que hoje o que precisava era uma chouriça assada e vinho tinto no Bota Alta, comigo e com o Bzinhu. E uma simples frase fez-me viajar para um tempo em que a vida era muito mais simples, onde a idade nos permitia a liberdade e onde os amigos moravam na porta ao lado. Não tendo nada meu, o mundo cabia-me na palma da mão. Os problemas eram dramáticos e levavam quase sempre às lágrimas, à escrita por exaustão e à melancolia como cura. O Bota Alta era um tasco numa esquina mal iluminada numa rua em Évora. Cantava-se o fado, bebia-se tinto da casa e comia-se chouriça assada com pão alentejano. De cada vez que lá íamos, descobríamos um pouco mais daquele paraíso que combinava tão bem com a nossa amizade. Havia um qualquer encanto naquelas noites, a começar na luz tépida das velas que, como dizia o Oso, fazia toda a gente mais bonita. Sussurrávamos as novidades dos sentimentos e ríamos tímidos por ali estarmos. Havia uma magia vivida naquela sala tosca, a começar no som rouco dos fadistas, nos nossos sorrisos luminosos ao ouvi-los e nas lágrimas que por vezes escapavam, tocadas pela letra da música. Também eu queria lá voltar, mesmo a saber que não me ia saber ao mesmo, mas queria pelo prazer de reviver. Não quero voltar para trás, mas apraz-me recordar certas noites feitas de coisas simples na certeza que há memórias que nunca morrem e amigos que nunca estão longe. Adoro-vos muito.

2 comments:

aaires said...

Tenho saudades do tempo em que o tempo não era um problema :)

Choreiiiii Choreeiiiiii!

p.s. continuo a achar que somos todos mais bonitos à luz da velas!

Di said...

É isso mesmo. Sempre em cima do acontecimento ;) ****