Friday, December 27, 2013

Tu não sabes


Tu nao sabes
Quanto tempo vais poder
Dizer: «Este sou eu»,
Gritar que o chao é teu,
Tu nao sabes,
Que o céu chama por ti,
Quando à noite te sorri,
Quando as pétalas se abrem 
Só por si,
Tu nao sabes.

Tu nao sabes
Quanto tempo iras pedir
Quando o sangue te fugir,
Quando o punho se fechar
Sobre ti,
Tu nao sabes,
Que o sonho nao morreu
Quando o beijo se perdeu,
Que a manha nao acabou
Só por nós,
Tu nao sabes.

Que palavras vais usar
Quando o sono nao vier,
Quando a noite te disser:
«Vem comigo».
Que loucura iras dizer
Quando a mao que te apertar
Te pedir para ficares
Só mais um dia,
Tu nao sabes,
Tu nao sabes,
Tu nao sabes.

Tu nao sabes
Quantos rios se vao deter,
Quantos olhos vao beber
Nas palavras que colaste
Junto ao peito,
Tu nao sabes,
Que os teus dedos sao ja meus,
Que se vao fechar nos teus,
Quando os barcos se despedem
Na maré,
Tu nao sabes.

Que palavras vais usar
Quando o sono nao vier,
Quando a noite te disser:
«Vem comigo».
Que loucura iras dizer
Quando a mao que te apertar
Te pedir para ficares
Só mais um dia,
Tu nao sabes,
Tu nao sabes,
Tu nao sabes,
Tu nao sabes….


Em repeat mode.
"É nos momentos de crise, que as pessoas se definem." Esta frase ficou comigo, como ficam tantas outras até as deixar aqui, nuas de tanto as pensar.Quem ma disse, sabe do que fala e descobriu pessoas dentro de outras, estranhos, seres nunca antes vistos, em situações de crise. Mas o que é uma situação de crise? E porque temos nós que ter outra pessoa para ser, nessa altura de crise? A que temos não serve? Não tem a coragem suficiente? Porque permitimos então que vivam outras pessoas dentro de nós, por tanto tempo e tão sufocadas? Porque não conseguimos então concentrar tudo aquilo que somos em nós, em nós de verdade e apenas numa só criatura? E eu que sempre procurei essas pessoas, as que lá estão dentro, as do mais íntimo, as do mais verdadeiro. Eu que nunca fechei os olhos a essas pessoas incomodadas dentro de outras e procurei sempre encontrá-las, ouvi-las, compreendê-las, libertá-las.... e isto não foi suficiente. Há quem diga que não podia ter feito mais. Podia, podemos sempre fazer mais, podemos sempre fazer melhor.

A força

Diz-se que sou forte. Eu acho que sou. Mas não o sou sozinha, porque acredito que sozinhos não somos nada. Não fomos feitos para estar sozinhos, por isso vivemos em sociedade, em comunidade; por isso nos juntamos - casados ou não - e temos filhos, criamos famílias, rodeamos-nos de pessoas que gostam de nós, que muitas vezes dependem de nós; criamos laços afectivos, envolvemos-nos emocionalmente e isso motiva-nos, dá-nos força e faz-nos viver. É isso que nos motiva: as pessoas e os sentimentos que por elas sentimos, nada mais. Por isso sou forte, porque não guardo para mim o que não me faz bem, porque tenho esta necessidade de partilhar, de repartir, de procurar os outros, de viver muitas vezes para eles, de perseguir a tranquilidade, a consciência, a paz, a explicação e a clareza de todas as situações; porque as desmonto na minha cabeça até encontrar um motivo, um sentido, ainda que seja eu que o esteja a construir e que apenas exista para mim. Sou forte porque bebo dos outros, vitórias e derrotas que guardo comigo num canto de inspirações. Sou forte essencialmente porque nunca estou sozinha, porque tenho sempre Deus comigo, que me carrega tantas vezes ao colo, deixando apenas um só trilho de pegadas na areia e me ajuda a recuperar nesse descanso. Sou forte porque tenho ao meu redor pessoas sãs, que me ajudam a compreender, a racionalizar, a recuperar, a digerir e também a perdoar. Sou forte porque tenho que ser, porque Deus assim o quis e assim me fez, para percorrer um caminho que é meu. Nada é por acaso, eu sempre acreditei. Agora posso não ver, mas um dia irei compreender.

Tuesday, December 24, 2013

Estou em casa

O mar traz-me força, e a dor a memória de estar viva.

Saturday, December 21, 2013

Surdo

O meu gato é surdo, porque eu grito-lhe: Não me mordas! E ele não ouve.....

Monday, December 16, 2013

É Natal!

É Natal, é Natal,
Não tenho coração!
Foi mordido, foi mordido
e levado por um cão!

Saturday, December 07, 2013

Parabéns a mim!!!

Parabéns a mim! Com direito a doces e tudo, porque sou muito JOVEM!!!!! :)

Thursday, November 28, 2013

Um dia

Um dia, vou plantar couves e viver um amor e uma cabana. Hoje era o dia. Hoje era o dia.

Monday, November 18, 2013

Estudar

O bom de se estudar na idade em que é suposto estudarmos, é que a única coisa que temos que fazer é estudar.

Thursday, October 31, 2013

Já cheira a Natal

Já cheira a Natal. A lareira acesa, a pantufas quentinhas, à casinha dos pais, a doces e bolos e chocolates, a estar com a família toda, a casacos apertados, a serão de conversa e licores, a descanso. Se calhar é porque preciso de descaso o_O Eu nem sou destas coisas, mas cheira a Natal....


Friday, October 25, 2013

Hoje estou assim....

A tender para o apaixonada....



Gosto da parte "que é desses filhos todos que ela tinha para me dar"...

Friday, October 18, 2013

Recebi uma mensagem do Oso a dizer que hoje o que precisava era uma chouriça assada e vinho tinto no Bota Alta, comigo e com o Bzinhu. E uma simples frase fez-me viajar para um tempo em que a vida era muito mais simples, onde a idade nos permitia a liberdade e onde os amigos moravam na porta ao lado. Não tendo nada meu, o mundo cabia-me na palma da mão. Os problemas eram dramáticos e levavam quase sempre às lágrimas, à escrita por exaustão e à melancolia como cura. O Bota Alta era um tasco numa esquina mal iluminada numa rua em Évora. Cantava-se o fado, bebia-se tinto da casa e comia-se chouriça assada com pão alentejano. De cada vez que lá íamos, descobríamos um pouco mais daquele paraíso que combinava tão bem com a nossa amizade. Havia um qualquer encanto naquelas noites, a começar na luz tépida das velas que, como dizia o Oso, fazia toda a gente mais bonita. Sussurrávamos as novidades dos sentimentos e ríamos tímidos por ali estarmos. Havia uma magia vivida naquela sala tosca, a começar no som rouco dos fadistas, nos nossos sorrisos luminosos ao ouvi-los e nas lágrimas que por vezes escapavam, tocadas pela letra da música. Também eu queria lá voltar, mesmo a saber que não me ia saber ao mesmo, mas queria pelo prazer de reviver. Não quero voltar para trás, mas apraz-me recordar certas noites feitas de coisas simples na certeza que há memórias que nunca morrem e amigos que nunca estão longe. Adoro-vos muito.

Wednesday, October 16, 2013

Ontem quando cheguei ao carro, pediram-me boleia...


Estava mesmo convencido a ir comigo, tanto que não se levantava! É tudo nosso...

Thursday, October 03, 2013

Um gato ao colo. Um copo de vinho tinto na mão. Um fado alentejano no ouvido. Não preciso de mais nada.
Há coisas que se soubéssemos como iam ser, não as fazíamos. Há fases e alturas que temos que percorrer na ignorância, sem ter a noção do perigo que corremos e do risco que atravessamos ao estarmos ali. É como ir de olhos fechado, só com a luz da vontade e da fé em que vamos conseguir. E consegue-se. Passada essa fase, diga-se, inicial, é como que se o conhecimento fosse nascendo em nós e crescemos à medida da nossa consciência. Pode-se dizer que estamos mais maduros e podemos agora, calmamente olhar para trás e analisar as decisões e escolhas que fizemos, e desta forma se cresce. Estou agora a abrir os olhos e sinto o corpo cansado, mas a mente motivada. É uma contrariedade grande a que tenho em mim, se por um lado a vontade de continuar, de não desistir agora, que já passei pelo mais difícil; por outro a saudade da paz, do descanso, do corpo tranquilo e da mente despreocupada. E cada vez mais a noção de que a vida é isto mesmo, um misto agridoce de contrariedades que nos motivam, e o que nos motiva faz-nos crescer, faz-nos descobrir novas capacidades, novas pessoas dentro de nós. E isso é bom, desde que não se perca o sentido do que é realmente importante: a saúde, a família e os amigos. Prometo que vou ter sempre tempo. Prometo. É importante saber quando temos que parar, é importante ver os nossos limites ao longe, para que possamos escolher parar antes, sermos nós a parar. Mas para isso é preciso conhecê-los. Eu ainda não os vi e ainda não decidi se vou parar ou não. Para já, não.

Wednesday, October 02, 2013

Eu (acho que) vou!

Eu acho que vou aqui! Com sorte vamos todos, o Gui e tudo, o seu primeiro concerto sentado aos dois anos e meio, que nível! Em família era melhor. Em família é sempre melhor. Pode ser que ele cante a Gotinha de água ou mesmo o Meu Alentejo e aí seria o auge do coração apertadinho e da lagriminha no canto do olho. Há um pedacinho do Alentejo que vem a Albergaria-a-Velha e eu vou lá vê-lo.

Aqui vos deixo uma gotinha daquilo que ele é capaz:



P.S. Não é pedacinho no sentido "ordinarão" da coisa, que o senhor nem é desses. Só para ficar claro.

Está oficialmente aberta a época do espalhanço!

Não se retraiam, espalhem-se à vontade! Botinhas novas, chão molhado, estão reunidas as condições, podem começar! Eu este ano ainda não me estreei, devo estar à espera do Carnaval, para ser em grande, em festa! Desejo pré-ano-novo: não torcer um pé este ano. Vamos lá, eu sou capaz!

Friday, September 27, 2013

Bárbara & Ken

Primeiro gosto da frase "toda a roupa faz pandan" - que nem sei se é assim que se escreve - e depois gosto mesmo muito da melodia. E é só isso, a história está engraçada, a voz tem um timbre interessante, mas esta melodia e o som das cordas, é mesmo o melhor. E de cada vez que o stress se apodera de mim, oiço esta música - é mentira senão estava mesmo em loop todo o dia e andava sempre de auscultadores nas orelhas!!
Faz-me sempre pensar em como seria bom se o J. não tivesse perdido o gosto pela guitarra e pudesse chegar a casa e ouvir uma coisa deste género no meu sofá. Pode ser que um dia ele me faça a vontade, assim a pedir publicamente, ao mundo. Pode ser.


Thursday, September 26, 2013

O gato

Então eu que sempre gostei de gatos gordos para apertar a barriga, agora tenho um que perde peso?? Perde peso?? Mas o que é isto? Não bastava ter 800 gramas de gato em casa - quase o mm que compramos de fiambre - como ainda me perde 60 gramas em 15 dias! Mas o que vem a ser isto? Já mandei um SOS-Mãe para a engorda do gato, ninguém melhor que as mães para fazerem engordar qualquer criatura! :)
Aqui no trabalho um rapaz perdeu a irmã no espaço de um mês. Primeiro era uma dor de cabeça, depois um cancro e depois um telefonema a dizer que não tinha resistido. 41 anos, dois filhos, marido, uma vida feliz cheia de planos e sorrisos. A morte é assim, ligeira e quase aleatória. Paz à sua alma e muita força para os que cá ficam. Há que ter coragem, há que reinventar a história e guardar apenas as boas memórias, as que nos movem e não as que nos param. Força com F.

Tuesday, September 24, 2013

Yoga - Ioga

De volta às práticas de Yoga! Posso mesmo dizer que nos últimos meses, foi a melhor coisa que me aconteceu, isso e férias....bom, e o Onofre que tem o melhor das duas coisas - menos o nome, coitadinho!
Na minha empresa houve uma alma caridosa - mesmo! - que decidiu dar umas aulas em troca de 15 € mensais em bens necessários, que são posteriormente doados a uma instituição. Ainda há gente solidária! Não só é bom pela prática, como pelo horário, são 5 minutos e estou pronta para relaxar! Directamente, da programação para o relaxamento. Depois de tanto tempo parada, o que mais custa é respirar e meditar, sinal de que o mais difícil de educar é mesmo a mente, porque o corpo aguenta, melhor ou pior. Curiosamente, coincidiu com a altura em que voltei ao blogue, com estes posts pouco interessantes e que quase ninguém lê. Foi para vos desenferrujar os feeds :p
Cansei a minha criatividade, tanto que agora preciso dela, e nada! Será que isto vai durar muito tempo?

Thursday, September 19, 2013

Ninguém me disse que a vida ia ser fácil, ninguém me disse.....

Wednesday, September 18, 2013

Olá o meu nome é Lamelas

Quando vi o gato assim tão rameloso, só me lembrei disto:


Por mim até podia ter ficado Lamelas, ou mesmo Ramelas, bem melhor que Onofre :)


Há muito tempo que não moía tanto num assunto. Se calhar estou mesmo a ficar velha e preocupo-me demasiado com o que os outros ficam a pensar ou a sentir. Se calhar cresci. O facto é que há muito tempo que não ficava mal com alguém, com aquela sensação de discussão de liceu - e foi mesmo o que foi. Andava-me a moer tanto que tive que dizer. Eu e a mania de dizer. Saiu-me mal, a altura, as palavras. Mas continuo a acreditar que a intenção era boa, eu só queria conversar. Mas é difícil quando só ouvimos. Mas quando é que eu há dez anos atrás remoía em alguma coisa ou ficava a pensar se devia ou não ter dito daquela ou desta maneira, se a pessoa tinha ficado mais ou menos ofendida? Realmente, há uma altura na vida em que começamos a medir as palavras. Eu pensava que já tinha chegado a essa altura, mas afinal ainda não as controlo todas. Nem as palavras, nem a altura de as dizer. Se calhar, se tivesse escrito este post antes, não tinha usado tantas palavras depois. Agora é tarde, está dito. Vai ter consequências, só espero que a longo prazo sejam boas e que por agora, consiga perdoar.

Monday, September 16, 2013

Onofre, o gato

Depois de carregar os gatos da rua para casa, o MQT convenceu-se que estava na altura de termos o nosso gato. Já a conseguir respirar correctamente na presença desses bichos felpudos, estava já a ressacar do ronronar lá por casa. Fomos então no início da semana a casa dos pais do S. que tinham por lá muitos gatos, correndo livremente pelo quintal. Quando lá chegámos estava, pousada sobre a arca frigorífica, uma caixa de sapatos. Não era uma simples caixa de sapatos, era uma caixa disfarçada de passador, toda ela furada! E como se a tampa não bastasse, havia um cordel azul, muito atado à volta da caixa. Mas como se tudo isto não fosse suficiente, estavam ainda pacotes de vinho em cima da caixa, não fosse a fera de lá querer sair, rasgar a caixa, desatar o nó e abrir a tampa e não ter nada em cima!! Eu fiquei chocada, já que a última vez que tinha tido um gato daqueles em casa, o meu pai teve que desmontar o bidé da casa de banho porque ele entrou pela parte de trás e ficou juntinho aos tubos a soprar como se fosse muito mau! Já estava a imaginar a fera a soprar e a arrufar, com o pêlo muito em pé e o MQT a querer devolvê-lo no dia a seguir. Enfim, lá convenci o S. a tirarmos os pacotes de vinho e a corda azul e a levá-lo só na caixa, com muita recomendação dele para que tivesse cuidado, não fosse a fera saltar lá de dentro a meio da viagem! E lá viemos com muito cuidado rumo a casa a ouvir os "miu" típicos de um gatinho assustado. Era só isso que vinha dentro da caixa, um gatinho assustado dentro de uma caixa escura e fedorenta; a fera ficou lá, não chegou a sair da imaginação do S. É só um gato pequenino que nunca mais viu a mãe nem os irmãos, só por isso já dava direito a miados! Ora não fosse o trauma o suficiente, o MQT decidiu chamar-lhe ONOFRE. Mas quem é que chama a um gato ONOFRE? Onofre? É que nem dá para Ono ou Ofre ou Nono....nada, não há volta a dar! Curiosamente ele começou a dar sinais de doença depois de lhe darmos o nome, eu disse ao J. que não era coincidência, era uma forma de manifestar desagrado, o gato não gosta de ser Onofre. Para mim vai ser sempre o gato, e ele vem. A gente entende-se. Pior é na sala de espera do veterinário, quando chamam "A dona do Onofre por favor" e eu baixo a cabeça a tentar disfarçar de que aquela chamada é para mim, que eu não dei ao meu gato pequeno e fofo o nome de Onofre!
Seja como for, está cá em casa, dorme ao colo enquanto estamos no pc e faz muito ronron como eu já tinha saudades! E aqui vos deixo umas fotos da fera, mas cuidado não se aproximem muito que ele é muito mau, ui, ui! :P



Upa upa de mauzão!

Thursday, September 05, 2013

O controlo

Controlarmos aquilo que nos perturba ou irrita é realmente difícil. Acredito que seja algo que se treine para posteriormente dominar. Também acredito que se nos conhecermos minimamente a nós próprios e não nos mentirmos, conseguimos compreender que a nossa reacção é diferente do nosso pensamento racional, que no fundo sabe que toda aquela explosão de sentimentos e vontade de cometer loucuras, vão acabar por desaparecer numas horas, quando voltarmos ao mundo real e rotineiro que nos rodeia ou quando nos deparamos com os problemas dos outros, tantas vezes tão mais dolorosos do que uma então pequena situação irritante. Pudesse eu naquele ínfimo segundo pensar em tudo isto e dominar-me para não me aborrecer ou chatear. Felizmente a vida continua, felizmente o tempo passa, porque esse realmente tudo cura. Por maior que seja o sofrimento, é mesmo preciso seguir em frente - dito assim parece tão fácil e banal! - agora compreendo quando a minha mãe dizia que se não fosse o tempo a passar e a pessoa esquecer, muitas vezes se morria de desgosto, tamanha dor e desconsolo. Acredito que sim; em situações muito extremas, se nos deixarmos levar por alguns sentimentos, tão negativos como poderosos, podem mesmo controlar a nossa vida. Não vivendo eu estas amarguras extremas, mas conhecendo gente que as vive, vou continuar a praticar com estas pequenas situações do dia-a-dia para que possa encontrar nos verdadeiros problemas, plausíveis soluções.

Wednesday, September 04, 2013

Tás velha quando....

A senhora que te está a vender os cremes para a cara te diz "Aqui temos uma gama mais leve, para peles jovens" e não olha para ti, depois continua "e aqui uma gama para peles mais maduras e tratamento para manchas escuras" e agora sim, olha para ti, e depois conclui "e esta já uma gama mais avançada, para peles com rugas e outra idade mais avançada", não dando muito importância a esta última, mas ainda assim, referindo o "mai avançada" - como mais? Parece que já tenho uma pele madura. Bom, ao menos não está a cair de madura. A pele já está, só falta o resto :P

E afinal parece que não....

Ora vejam lá se não era mais que motivo para o deixar lá:



Pois claro, até porque ele não se foi embora o dia todo! E podia ter ido, mas não foi! Para começar era uma gata, super fofa e com uns olhos azuis ginórmicos e depois estava muito feliz. Quando a consciência chegou a casa naquela noite e nos encontrou às duas muito enroscadinhas no terraço, ela já com caixinha de areia e alcofa e eu de portátil e óculos postos, heis que exclama a frase "Então mas tu foste roubar o gato à vizinha?" Eu??? Eu não! Rou-quê? Ah, nem pensar! Mas nós temos vizinhos? Nunca dei por isso....
Enfim, os meus argumentos não foram suficientes e o MQT lá ligou para a vizinha a explicar que a gatinha tinha lá ido ter, já por muitas vezes e que se ela não a quisesse, nós podíamos ficar com ela, sem problemas. Mas a vizinha queria a gatinha porque já tinha tido uma preta que também tinha desaparecido misteriosamente e que o filho, quando a ia visitar, gostava de ver lá a gatinha. Se a outra tinha desaparecido, se calhar era um sinal! E se o filho gostava de ver a gatinha, podia lá ter ido vê-la a casa! Era tudo muito simples de resolver, não estava a compreender o problema. Mas pronto, a consciência naquele dia estava muito explicativa e lá levamos a gatinha de volta ao terraço da vizinha. Eu fiquei a pensar que não devia ter feito aquilo, primeiro porque não é simpático para com a vizinha e depois porque já me estava a apegar à gata. Fiquei a pensar que voltava, mas depois percebi, no dia a seguir, que a vizinha já não a deixou na rua e isso fez-me sentir aliviada, afinal a minha acção tresloucada, tinha servido para alguma coisa! E não foi só para isso, o MQT já percebeu que realmente, precisamos de um gato naquele terraço. A C. tinha razão, se tudo lá vai parar, porque não um gato???

Monday, September 02, 2013

Hoje há uma parte do jantar que é biológica

Antes:


Depois:




Fui adoptada por um gato!

Pelo menos é o que eu vou dizer aos meus vizinhos quando eles me perguntarem o que faz o gato da vizinha no meu terraço! Todo ele é dado, meigo, esperto e magro! Ora, dei-lhe comida uma vez, quando supostamente a vizinha foi de férias; depois disso sempre que o via na porta do prédio era todo um miado e um ron-ron sem fim. Tão magro que eu continuei a dar-lhe comida e ele continuava a comer. Hoje à hora do almoço a história repetiu-se e eu decidi levá-lo para o meu terraço, até fomos de elevador e ele tão assustado, que sentia o coraçãozinho a bater na minha mão, que o segurava; mas não me virou as unhas, cravou-as antes na parede da entrada do elevador, como quem gritava "não me metas dentro dessa caixa!!" Depois de estar lá dentro foram uns quantos miados e chegámos. No terraço não estranhou, e como a "curiosidade matou o gato" - mas não este - começou logo a descobrir cantinhos e recantos. Servi-lhe uma taçada de ração - do tempo em que tínhamos decidido ter um gato, no mesmo tempo que a mim me faltava o ar - e uma taça de água. Depois tracei o leite meio gordo com água e dei-lhe morninho, como todos os gatos gostam e pronto, comeu, comeu, comeu, bebeu, bebeu....até se fartar. Depois escolheu um vaso e foi dormir lá para dentro. O terraço é aberto, ele só fica se quiser. Parece-me justo. Mas agora o J. diz que temos que ir dizer à vizinha, porque o gato não é nosso. Eu acho que isso são pormenores, os gatos são de quem eles quiserem, não fomos nós que adoptámos o gato, foi o gato que nos adoptou a nós! Não tenho culpa, hunf!

Friday, August 30, 2013

Felicidade

Certa vez, um grande amigo dos meus pais disse que a felicidade se definia por dormir quando se tem sono e comer quando se tem fome. Achei a frase ridiculamente falsa. Nessa altura, do alto dos meus 15 ou 16 anos, achei que seria muito fácil ser-se feliz; nestas idades, em que se tem tudo, mas está-se demasiadamente ocupado a dramatizar a vida para nos apercebermos disso. Ora hoje já me parece uma frase muito acertada e talvez por isso ela tenha vivido comigo todos estes anos. Lembro agora aquele homem comprido e magro que dormia a sesta no sofá da nossa sala, depois do almoço, antes de ir trabalhar; lembro quando jogava o Porto e me apertava com força, lá do alto dos seus longos braços, por cada golo, até eu chorar de susto; lembro a constante hospitalidade presente na minha casa, onde se acolhiam estes bons amigos que não tinham a sorte da família estar perto, e que também por isso, passavam a ser da nossa família. Hoje está casado, e a primeira filha tem o meu nome em homenagem aos meus pais, que foram durante muitos anos, dele. Este mesmo homem disse também um dia que os filhos são a melhor e a pior coisa que nos acontece, ao mesmo tempo. Esta frase também está em mim, mas por enquanto ainda não a posso confirmar na primeira pessoa e o descrédito que lhe dei por tantos anos, a julgar a profissão de Psicólogo que tinha, morreu; por isso, não vou negar que também tenha razão desta vez.

Thursday, August 29, 2013

Os correios

Não sei se sou só eu, mas no que diz respeito a cortar nas despesas, uma coisa é juntar freguesias outra é juntar uma estação de correios e uma loja de roupa. A estação de correios da nossa zona fechou e foi abrir uns kilómetros à frente numa loja de roupa. Sim, dentro de uma loja de roupa. Entre cabides, saias e camisolas, está uma secretária com carimbos e selos. Pior que isso é abrir às 10h00, pelo que estive desde as 9h45 à espera que a boutique abrisse. Lá dentro está uma senhora que, pelo que percebi, tinha a loja e depois aprendeu a carimbar cartas para abrir uma estação de correios ao lado da caixa registadora. O balcão é um só e tanto tem fitas métricas, como impressoras de selos. Como era quarta-feira, ela fez questão de me mostrar o horário que vinha impresso no aviso, e de me lembrar que à quarta-feira de manhã não abre, "porque é dia de ir ao armazém buscar a mercadoria aqui para a loja"!

Vou começar a ir aos correios mais tarde, assim aproveito e trago um vestido para irmos jantar fora......

Enfim, o Jojo é que tem razão:


Sonhei

Hoje sonhei que tinha batido com a parte de trás do meu BMW ao estacionar na garagem. Já no sonho pensava: Mas eu não tenho nenhum BMW! Ando a escavacar os carros dos outros nos meus sonhos, tenho que perguntar aos vizinhos se está tudo bem pela garagem....

Wednesday, July 31, 2013

Em excesso

Quando trabalho muito:

- Durmo mal
- Ando cansada
- Fico sem paciência
- Dou menos atenção às pessoas à minha volta
- Fico menos criativa
- Doem-me mais as costas
- Faço menos o que gosto
- Estou menos tempo com as pessoas que gosto
- Estou menos tempo em casa
- ...

Mas afinal....porque é que eu trabalho muito????

Friday, July 26, 2013

O Pré-adolescente

O pré-adolescente foi para um campo de férias durante uma semana. Foi a primeira experiência do género e o pai conta que ia nervoso. Depressa lhe passou quando chegou e viu crianças como ele - que se julgam já pré-adolescentes também como ele - e correu a fazer amigos e explorar novas formas de brincar. Ficou com um telemóvel e tem um hora por dia para falar com ele. Todos os dias liga à madrinha, aos pais, aos avós, aos tios, a contar as novas actividades e os amigos que fez. Hoje estava muito indignado porque quando chegara a vez dele subir a uma plataforma para saltar, o monitor mudou, e este tinha medo de alturas, então ninguém subiu até ao cimo. Eu expliquei-lhe que era mesmo assim, que às vezes temos sorte e às vezes temos azar, que a vida é mesmo assim, que não fazia mal, que da próxima vez havia de ter mais sorte. Mas ele não se mostrava consolado e dizia-me que era por isso que queria ser sempre dos primeiros a fazer as coisas, para não correr estes riscos. Como hoje é o último dia no campo, há até um baile de finalistas e ele dizia-me que tinha que arranjar uma "miúda":

Ele - Sim, madrinha, tenho que arranjar uma miúda para ir baile comigo hoje....
Eu - Então e arranjas! Já convidaste alguma?
Ele - Não, são todas feias!
Eu - Então, mas se precisas de uma, tens que arranjar, mesmo que seja feia. Depois entras e andas com os teus amigos; ou vai ser preciso dançar?
Ele - Não sei. Eu queria era a Sofia pah...!!!
Eu - Mas a Sofia é da tua escola, não é dessas andanças.
Ele - Mas assim se eu levo outra, vou traí-la!
Eu - Não vais, levas outra amiga porque a Sofia não está aí.
Ele - Olha esquece, eu vou só com os meus amigos! Dá para ir só com amigos, não dá?

Eu lá lhe expliquei que podia convidar uma amiga feia e ir com ela ao baile, que não estava a trair ninguém :) Espero que daqui por 20 anos ainda se preocupe com o coração das amigas como se preocupa agora! Vou cumprir com a minha parte para que assim seja. Entretanto, ele que se divirta muito com os amigos, que é o mais importante.


Thursday, July 18, 2013

Os sobrinhos

Cheguei à conclusão que os sobrinhos são os primeiros netos, sendo nós, os tios, os primeiros avós. É como uma experiência antecipada que os irmãos e/ou os cunhados nos permitem. Não os adormecemos nem cuidamos deles quando estão doentes, nem sequer os alimentamos tão bem como os avós; essas são as tarefas para os segundos avós, os verdadeiros. Nós somos aquela primeira triagem, aquela aprendizagem mais divertida e com quem se pode fazer tudo na mesma, como com os verdadeiros avós. Ralhamos q.b. e sabemos sempre tudo sobre tecnologia, jogos, e formas de diversão. Ensinamos o que supostamente não se deve e brincamos com eles como se tivéssemos a mesma idade. Não são os primeiros filhos apenas por um motivo: não temos necessariamente que os educar e isso não faz de nós adultos. É um mundo à parte e eu gosto de lá viver :)

Wednesday, July 17, 2013

Para a engorda


Agora começo a perceber porque não engordo muito. É porque não vivo na mesma cidade que a minha mãe. Numa semana e já tenho dois pares de calças que não apertam. Incrível. Para as mães - principalmente para aquelas que já são avós - estamos sempre muito magrinhos e a precisar de comer. Eu tentei explicar-lhe que já não tenho 15 anos e que não vou estar um dia inteiro a andar de um lado para o outro, ou numa discoteca a dançar uma noite inteira. Mas ainda asssim: acha que me alimento mal. Cheguei a pensar que me iam vender ao kilo :)
Enfim, são miminhos que sabem bem e que devemos aproveitar enquanto duram. Agora, de volta à realidade de ter que fazer almoço e jantar e fazer de conta que o dia tem 48 horas e que eu consigo fazer tudo. Eu consigo, eu consigo.

Isto de ter cabelo

Pois como é alta, fica-lhe bem o cabelo comprido. Sendo alta, favorece-lhe o cabelo curto. Para deixar crescer deve cortar em baixo. Para deixar crescer deve cortar mais em cima. Com volume. Sem volume.

São as desvantagens de ter a cabeleireira a trezentos kilómetros, torna-se um bocadinho longe.
Eu tinha uma boneca, a Nancy, que trazia um botão nas costas que fazia crescer e diminuir o cabelo. Se apanhasse muito sol, até ficava com cor. Queria ter esse botão cravado nas minhas costas agora. E não me venham falar de extensões, com cola na raiz de três cabelos e meio para andar sempre arrepiada.

Enfim, gaijas.......



Ninguém é feliz com os pés apertados.

Tenho dito. O que não significa que quem tenha os pés à larga seja muito feliz. Tenha atenção onde põem os vossos. Muita atenção.

Saturday, April 20, 2013

Saudade

Volvidos quase seis anos, continuo a não ser de cá. Tenho amigos, tenho trabalho, comprei carro e até casa (!), mas não sou de cá. Sou sempre lá de baixo com um sorriso rasgado, quando perguntam. Aveiro continua a ter só e apenas o mesmo defeito: é não ser no Alentejo. Meu Alentejo. Vou ter sempre saudades, do calor, da preguiça, do vagar, do sol a queimar, do lânguido horizonte, das tardes longas, do sotaque acentuado e vagaroso. Não emigro, já me sinto noutro país o suficiente. Volta e meia a saudade aperta, como nesta tarde soalheira que me faz lembrar tudo isso. Vou ser sempre lá de baixo. Hoje é tarde de caracóis para matar um bocadinho a saudade.

Thursday, April 11, 2013

Mistura de raízes e terra



Gosto desta mistura de raízes e terra, de novo e velho, de antigo e moderno, todos com a mesma paixão. Gosto do meu Alentejo. Um dia crio um grupo de cantares. Um dia trago o Alentejo para o Norte. Um dia. Um dia.

Monday, March 25, 2013

Prima quê?

Este ano não veio a PrimaVera, veio outra qualquer que a Vera estava ocupada. Está mais zangada esta e traz mais água no bico. Só espero que o Verão venha, e que compense.

Wednesday, March 20, 2013

Muito orgulhosa


Primeiro porque foi a mamã que me deu, depois porque o ano passado deu três perninhas que foram para três mulheres cheias de força e por último porque é a primeira vez que dá flor :) E não morreu! Sim, senhores, parece que a avó me deixou esta herança, ou então está lá em cima a torcer por mim :)

Monday, March 11, 2013

E por falar em bons momentos...

Eu vou! :)


E vai ser buéda!
Há um baú de memórias em cada um de nós. Boas e más, estão lá todas. Por norma as que nos marcam mais, permanecem agarradas às paredes de madeira, insistentemente, sem querer sair. O meu está cada vez mais cheio. E agora no meio de uma lista de músicas dei com uma que me faz recordar muitos bons momentos.




A música tem este efeito em mim: o de viajar. Consigo deslocar-me anos para trás, lembrar-me de cheiros, gargalhadas ou lágrimas. Entre outras memórias, esta música faz-me sempre lembrar o concerto que não fui. Tinha onze anos e os meus pais não me deixaram ir porque era muito pequena - pequena não era o termo, porque com onze anos já não era pequena, não fui pequena assim tantos anos na minha vida :) -....e os meus irmãos que foram, cheios de casacos de cabedal e perfumes da época; e eu que queria tanto ir, lá fiquei, com o amargo na boca. Enfim, há que resistir à frustração, e na adolescência, essa resistência tem tanto de essencial, como de difícil. Mas cá estou eu, cheia de resistência :) e tanto que gosto do senhor que, no último concerto, no casino de Tróia, troquei toda a expectativa dessa noite, de criança com onze anos, por uma tamanha desilusão, que temo viva comigo outros onze anos.

Tuesday, February 05, 2013

Que seja agora!

Pois que seja agora, enquanto acabo a minha massa de peixe - tanto gostosa, como tardia -, que escrevo este post. Ė daqueles fáceis, em formato fastfood, mas versão post. É assim:



Simples, mas bom! Parece que lhes está na ponta dos dedos esta arte de fazer música que conquista, que nos prende ao primeiro acorde, que nos derruba toda a má disposição. Gosto. É português e não está em crise, só por isso já vale a pena!!