Friday, May 25, 2012

Quero dizer-vos

Realmente ninguém me disse que a vida ia ser fácil e por isso mesmo digo tantas vezes esta frase, para não me esquecer de como ela é difícil, e isto não é pessimismo, é realidade, ou em última instância será prevenção. Cada vez me convenço mais de que nada é como nós queremos, decidimos ou escolhemos. Que muito pouco está de acordo com o que temos como certo ou infalível e que outro tanto está sob o nosso controle. Controlamos mesmo muito pouco ou nada, temos apenas o segundo em que a palavra nos sai da boca para decidir, e a partir do momento em que se disse, marcou-se ali uma viragem, uma mudança, uma decisão, um caminho diferente. Por mais que pensemos e reflictamos, é no momento de dizer que se faz a diferença, primeiro porque nem sempre (quase nunca!) se diz o que se pensou e depois porque as reacções ao que dissémos determinam a próxima atitude, fazendo com que esta fuja, uma vez, ao que tanto pensámos. O pensar. o digerir, o achar que se estudaram todos os casos só serve para chegar a conclusões, dificilmente leva a atitudes, porque essas só vêm com as palavras. Por isso sou apologista de dizer. Dizer tudo. Dizer o que se pensa, o que não se pensa, o que fica bem e o que não fica, o que é fácil e difícil de ouvir. Dizer o que ninguém diz, porque se ninguém disser, então nunca se vai saber, vai permanecer para sempre sob a forma de pensamento e nunca de palavras e por isso, nunca vai conduzir a acções. Devemos dizer às pessoas aquilo que elas já sabem, como Gosto muito de ti, Amo-te muito, Não gosto desse pão, Essa cor fica-te mal, Tive saudades tuas; mas também devemos dizer aquilo que elas não sabem ou não querem saber, como Falas muito alto, Estás a exagerar, Não estás a ser sincero, Estás obcecada com o teu filho, Eu sei que tu não querias dizer isso. Na dúvida, devemos pensar um pouco sobre como devemos dizer e não porque assim consegue-se dizer melhor ou atenuar mais o que se vai dizer, mas sim porque se chegam a conclusões, a novas descobertas, a justificações e razões para o que está a acontecer, e assim quando dissermos, dizemos com mais confiança, com mais argumentos, com uma visão mais ampla, mais aberta ao que se vai ouvir, ver e sentir de volta. Quem não diz tem medo: do que vai ouvir, ver e sentir de volta. Quem não diz não é por não querer magoar quem vai ouvir, muitas vezes é porque não está preparado para a reacção, a resposta, o sentimento. Aqui reside o desafio e a grande aprendizagem da consequência do que dizemos.

Digam coisas hoje, porque amanhã já vamos dizer de outra forma, outra coisa, se calhar a outra pessoa...

Digam.

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