Wednesday, February 29, 2012

O pássaro, o ferro e o terraço

Há dias, depois da "corrida" matinal na elíptica, e como o tempo já começa a apetecer, fui fazer os alongamentos ao terraço aberto, como já fazia há alguns dias. Quando inspiro profundamente a primeira lufada de ar frio que me enche o peito e me ilumina a manhã, vejo um pássaro gordo, preto, no chão, de patas, literalmente, para o ar. Pensei como era triste encontrar a morte tão cedo no meu dia e pensei a seguir que não ia mais pensar sobre isso, que aquilo era uma tarefa para o esposo, que também tem que fazer qualquer coisinha! O que não reparei com tantos pensamentos, foi no ferro que estava por baixo do pássaro e que na noite anterior não estava no chão, mas de pé, encostado à parede. O marido reparou nisso, porque é muito observador e menos "pensador", ia lá pensar na morte do pássaro (!!), foi mais pragmático e ficou a pensar como é que o pássaro ali tinha ido parar. Eu pensei que fosse morte súbita, afinal, afecta cada vez mais seres vivos!! E como já não estranho os animais que nos entram no terraço, só fiquei mesmo (mais uma vez) a pensar que, agora que vedámos o acesso pelo muro, eles vinham pelo ar, só para poderem entrar no nosso terraço!!! Eu juro que nós não temos lá nada de apelativo.....só estava mesmo a roupa estendida! Afinal parece que o que deu no pássaro foi um "ferro súbito", mas ainda assim, que má sorte a dele de, ou levar com o ferro quando ele ia a cair ou lhe acertar em cheio durante o voo. A minha teoria da morte súbita era muito mais simples e não dava azos a tantas hipóteses remotas. Só espero que não tenha deixado filhos...paz às suas penas.

Monday, February 27, 2012

O país e a cidade, por definição



"
- E então, vieram até Almada?
- Sim, o meu irmão faz anos hoje e viemos jantar com ele, aproveitámos e passámos aqui.
- Ah o teu irmão está em Almada?
- Não, está ali em Sintra...
- Então passam cá o fim-de-semana, muito bem!
- Não viemos jantar e depois voltamos para casa.
- Hoje?? Ah pois é, para vocês a cidade é o país, já não me lembrava....!
"

Gostei da descrição, ficaram-me na memória as palavras...

Friday, February 24, 2012

E já lá vai um ano....

É assim que as pessoas envelhecem, é mesmo com o passar do tempo, ou com o correr do tempo! (Anda a correrm o gaijo!!!) Já se passou um ano desde que o Gui nasceu, o gostosinho! Parece que foi ontem que estávamos todos no hospital, a pegar-lhe com muito cuidado, a sussurar-lhe como era bonito e perfeitinho. Hoje já ali estava, todo gordinho e despachado, a comer esparguete com as mãos  e a gritar muito com a mãe porque não o deixava javardar no prato à vontade!! O tempo passa depressa realmente. Enquanto o irmão faz um ano, o pré-adolescente aprende a dizer asneiras e grita-as em voz alta no jardim a brincar com os amigos. O tempo passa depressa e é bom ter noção de que ele passou, para todos.

Humor negro aos oito anos

O avô do R., o melhor amigo lá da escola, morreu de propósito. "Morrer de propóóóóóósito Pai????" Perguntava muito admirado como quem se questionava sobre tamanha barbaridade, "Mas quem é que morre de propósito????", perguntava igualmente admirado. O pai explicou-lhe calmamente que às vezes as pessoas ficam muito, muito doentes, que ninguém repara, começam a andar muito tristes, sem conversar com ninguém, sem querer falar com os amigos e que depois ficam muito, muito doentes e que começam a pensar que morrer de propósito é a única solução, mesmo não sendo. Explicou-lhe ainda que por isso era muito importante conversar com os amigos e com os pais quando nos sentimo tristes. Ele ouviu tudo muito atento, com os olhos muito abertos de admiração, como quem não crê no que ouve e ficou no seu silêncio a compreender o que o pai lhe explicara. Passado algum tempo, já disperso da estranheza que a situação lhe causara, exclama:
- "Aaaaaahhh pois, mas olha, o R, não levou trabalhos para casa....sortudo!!!!!"

E é assim, aos oito anos ainda sobra espaço para tamanha inocência, onde os trabalhos para casa são a pior coisa que nos pode acontecer, muito pior que morrer de propósito!

Afinal parece que não....

Afinal parece que não consigo mesmo estar calada. E ao fim de um ano de estar noutra equipa, noutro projecto a trabalhar com outras pessoas.....não estava feliz. Há uns meses atrás surgiu a possibilidade de voltar à posição antiga, na altura não ponderei muito, achava que não fazia sentido voltar a um projecto que tinha os dias contados, no entanto, onde estava, a vontade de mudar não era muita, não era muita a vontade de fazer melhor, de fazer diferente para ver se era melhor, porque fazer diferente acarreta riscos e nem todos estão dispostos a corrê-los. A verdade é que se não experimentarmos não vamos saber se é melhor ou não. Eu não sou assim, não sou de me acomodar nem de não experimentar porque "não há tempo" ou "porque não" ou "porque o risco é muito alto". Eu não sou assim e não consegui guardar este meu feitio muito tempo cá dentro, começou a incomodar-me de tal forma que tive que parar para ponderar, para decidir. Não só com a cabeça, mas também com o coração, com a noção de que tenho que estar onde me deixarem ser eu própria, gritar quando tiver que ser e respirar fundo quando for preciso. Hoje foi anunciada a minha decisão. Espero que seja boa, porque se não for, também vou ser eu que vou cá estar para a receber. É tudo uma questão de perspectiva e quem nunca teve outra não pode compreender. Eu decidi arriscar, a longo prazo pode ser bom, a curto vai ser trabalhoso e pode até chegar a ser desesperante, mas a mim ninguém me disse que a vida ia ser fácil :) E enquanto puder dar a minha opinião, lutar para fazer melhor, para sermos melhores, eu não vou parar. Venham de lá esses indis que eu não tenho medo de ninguém!! :)

Dia 16 de Março lá estaremos.

Paragem

Há mais de um mês que não escrevo no blogue. Pelo histórico, nunca antes tinha acontecido. E é muitas vezes assim que vejo o blogue, como um histórico da minha vida, acabo por cá vir deixar os bons e maus momentos, os mais marcantes e os mais insignificantes e banais, de uma perspectiva mais geek, posso dizer que é o meu reportório de dados, o SVN da minha vida :) - se calhar foi geek demais...

Tenho andado ocupada, o que é bom. 2012 avizinha-se como um ano de experiências, de desafios e de novas oportunidades. E como não fiz o post de balanço habitual de ano novo/ano velho, posso deixar aqui um parágrafo em ar de balanço. 2011 começou com uma grande mudança profissional, ali a mais de meio com uma mudança de estado civil e terminou com a comemoração surpresa dos 40 anos de matrimónio dos papás. É verdade, já lá vão 40! E se agora eles não desconfiaram de nada, muito menos à quarenta anos desconfiavam que os filhos, as noras e o genro lhe haviam de preparar uma festa surpresa, com trinta e cinco pessoas numa sala a ouvir a Ternura dos Quarenta em loop, e todos a aplaudir muito, de pé, com orgulho de ali estar, a comemorar e a presenciar o fruto de quarenta anos de uma família bem sucedida. A festa seguiu em ar de "choradeira" emocional, não dando para outra coisa com o vídeo que lhe preparámos em ar de "retrospectiva"; a começar no namoro, seguido do casamento, o nascimento do primeiro, segundo e o "descuido" do terceiro filho; seguiram-se muitas fotos, muitos momentos ternurentos, alegres, vitoriosos, felizes, plenos da coragem própria de quem vive com os sentimentos à flor da pele, desprovidos de disfarçes ou de falsos moralismos. Seguiram-se vídeos de antigamente, a velha carrinha artilhada com a cama, a mesa, as alcofas, as merendas, as malas e tudo e todos que lá coubessem; os primos, pequenos e desdentádos; os irmãos, agora tios, outrora novos e com cabelo. Não podia faltar o bolo, réplica do original que cortaram em grande festa e terminaram com brinde, de braço cruzado como há 40 anos atrás. Uma data assim não se podia deixar passar em branco, orgulho-me não só de pertencer a esta família, como de ter ajudado a proporcionar aquela noite de memórias, orgulhos e saudades. O Oso tem razão, eu tenho muita sorte porque tenho uma família normal. Não é normal, porque nenhuma é, apenas é normal no seu conceito de normalidade, com as suas virtudes e os seus defeitos, como todas. Mas é sem dúvida consciente, verdadeira no sentimento e conceito de família e unida por aqui ter chegado em conjunto. Sim, é verdade, tenho muita sorte. Como diz o Paizinho: "a gente emociona-se e depois chora..."
Os meu pais são os melhores do mundo. E eu sei que todos dizem isto, mas eu posso mesmo dizê-lo confiante, porque eles são os melhores do mundo não só para nós, mas para todos e isso sim, faz a diferença.

2011 não foi só isto, mas terminou em festa, em família e isso já fez com que 2012 chegasse mais quentinho e aconchegado. E aqui estamos.