Wednesday, November 02, 2011

Dou comigo à escuta. Escuto o vazio. Vazio que outrora falava por si só, consumia todos os segundos de todos os momentos, absorvia cada emoção, cada sentimento, cada vida. Dou comigo à procura. À procura de todo o ritmo que deixei parar, que permiti que arrefecesse na ideia de que sim, era melhor assim. Dou comigo a reviver e a descrever-me como a outra pessoa, por fora dela. Dou comigo a faltarem-me as palavras, às vezes as sensações, ainda que as mais simples, precisamente essas que nos transformam. Dou comigo a mudar, não sei bem para o quê, mas a sentir-me nessa metamorfose incessante, que às vezes me parece crescer, outras apenas afastar-me do que sou. Dou comigo a temer acordar amanhã e não conseguir escrever, deixar passar o que sinto, sorrir, lutar, defender o que acredito. Dou comigo a viver e a desgastar-me por isso. Uns dizem que é crescer, outros que é da idade. Por enquanto, vou continuar a procurar o meu espaço silencioso, o que me deixa ser eu própria, escrever com o coração nos dedos e amar como se amanhã não chegasse.

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