Thursday, October 06, 2011

Um amor impossível

Chama-se Zero. É amoroso, felpudo, brincalhão, faz muito ron-ron e ainda por cima não se importa que lhe aperte a barriga!!! Não podia ser melhor!




A idéia era termos o Zero e o Um e com isto sermos geeks até nos nomes que damos aos nossos animais de estimação, mas como o próximo disponível é uma gata, resolvemos passar ao feminino que, como toda a gente sabe, é Uma. O gaijo diz que devia ter H para ficar mais in.

Nem toda a gente sabe, mas a verdade é que sou asmática e uma das coisas que me provoca asma, é mesmo o gato. Nem todos, é um facto, mas trazer o Zero cá para casa foi mesmo isso, um risco. A C. veio para jantar e trouxe o Zerinho, aproveitámos para estrear o terraço com um fondue delicioso - mesmo a calhar! No final do jantar, sem ter muito contacto com o Zero, já a minha respiração era mais presa e já tinha que fazer mais força para respirar. Ao final da noite já tive que recorrer à bomba e ficar deitada na cama para não me esforçar. Respirar devagar, manter a calma e beber um café - ou descafeinado - pois ajuda a dilatar os alvéolos pulmonares. Pior que ontem foi hoje. Há muito tempo que não me sentia assim, fazer força para respirar e o ar que nos entra nos pulmões não é suficiente, as lágrimas corriam-me de desânimo e desgosto. E o ar pouco e sofrido a entrar no peito. Os pulmões a doer da força que fazem para respirar, e o barulho do ar a entrar pelos brônquios inflamados que o apertam e não o deixam passar. Todos os fumadores deveriam ter uma experiência assim, para poderem dar o devido valor ao sistema respiratório que têm e ao precioso ar que respiram, todos os dias, sem qualquer esforço. O dom da vida, que desperdiçamos todos os dias.
O Zero vai amanhã embora, provisoriamente, quero pensar. Entretanto vou consultar um especialista e perguntar-lhe se consigo, com o tempo e alguma ajuda, ganhar defesas. O facto é que toda a minha infância vivi com gatos, entre crises de asma e vacinas de combate à alergia, lá ia crescendo, sem ter a noção de que isto ia viver comigo todos os dias. Foi o meu avô que me deixou esta herança, pai da minha mãe que trabalhava numa oficina e era alérgico ao óleo :/ Eu não me posso queixar, comparativamente, já que hoje temos vacinas, anti-histamínicos, bombas, comprimidos e outra catrefa de coisas que podiam ter ajudado o meu avò a trabalhar mais e melhor. Portanto, o erro foi mesmo deixar de os ter por perto, os gatos, já que por último já não tinha qualquer reacção, o corpo já se tinha "habituado" e ganho algumas "defesas", não todas, mas as suficientes para agora poder ter um gato em casa e conseguir respirar ao mesmo tempo, como as pessoas normais.
Ficam as memórias da Mimosa (para sempre!), uma gata que viveu comigo dezoito anos, que me seguia para todo o lado, que sabia todos os meus segredos, que estudava e dormia comigo, que chegou a ter gatinhos em cima da minha cama e debaixo dela, no meio dos sapatos. Não havia alergias que nos separassem. Foram dezoito anos, como posso não me lembrar? Como posso não conhecer as manhas, os gostos, os feitios, as particularidades desse curioso animal que é o gato?

Esta limitação que trago no peito, esta caixinha que nem sempre funciona, faz-me pensar como somos pequeninos e frágeis e como decidimos tão pouco da nossa vida. Hoje é um dia triste.

1 comment:

Littlewar said...

Amigosssssssssssss...se conhecerem alguém que faça milagres à respiração da minha mais que tudo toca a colocar aqui :)


Não temos zero nem huma mas temos uma coisinha boa cá em casa na mesma ;)