Monday, October 24, 2011

Incrédulas

Vão ficar as crianças quando na escola lhes falarem nas quatro estações. Vão abanar a cabeça e pensar: "Estes adultos.....inventam cada coisa.....".

Realmente, quatro estações só mesmo nas pizzas, e não são todas!

Tuesday, October 18, 2011

Famílias abertas e fechadas: o conceito

Há já muito tempo que penso neste conceito. Normalmente estes pensamentos mais persistentes, ou que eu própria dou a oportunidade de viver, acabam aqui, no blog, traduzidos para qualquer coisa mais concreta, mais, ou menos próximo daquilo que são.
Este conceito de família aberta ou fechada persegue-me já há alguns anos. A minha família - que ainda vejo como os meus pais e os meus irmãos, mas que, de facto, se afasta cada vez mais desse pequeno núcleo, para ser já os meus pais, os meus irmãos, as minhas cunhadas, os meus sobrinhos e o agora meu marido! - sempre foi uma família aberta, às vezes escancarada - e ainda tendo eu já a minha família (de apenas dois elementos, mas já uma família), tenho-os sempre todos como a minha família. Uma família aberta é uma família onde nós conseguimos estar sem perceber que não é a nossa família, ou seja, é uma família aberta aos outros. Aberta de coração, de mente, de exemplos, de preconceitos - aqui mais liberta. Uma família aberta põe um lugar a mais na mesa, sem perguntar se vais querer jantar; uma família aberta, dá-te os copos para levares para a mesa e quando vês estás no meio das tarefas daquele momento; uma família aberta é um exemplo, faz-te ver como as famílias devem ser, sem provocar inveja ou discordâncias; uma família aberta, deixa-te entrar antes de quereres, e quando dás conta, fazes parte dela há anos. Isto é uma família aberta, é o meu conceito de família, é o que os meus amigos conhecem, é ter amigos que conhecem os meus pais e gostam deles como amigos também. Uma família é isto, não há ninguém melhor ou pior que ninguém; não há ser mais ou ter mais, não há o espreitar pelo canto do olho para ver se os filhos do vizinho se portam pior do que os nossos, não há aquela voz a sussurrar que os meus filhos são melhores do que os dos outros. A minha mãe sempre disse que os dela não eram melhores nem piores, eram iguais. E somos. Não há melhor nem pior, só se gosta mais dos nossos - digo eu que não tenho nenhum! É este o meu conceito de família, é uma casa cheia, é uma mesa com mais de vinte, todos apertados, mas contentes; é dormirem uns nos quartos, outros no chão, outros no carro, outros na caravana e quando a malta mais nova chegava da noite, trocava com os que se estavam a levantar de manhã e que já tinham dormido tudo. Bem sei que não se pode viver assim para sempre (ou pode, talvez haja quem o faça, a Isabel Allende parece que tenta, pelo que escreve) e que nem todas as pessoas se adaptam a um ritmo de gente tão "preenchido", mas ainda assim, com menos gente, com aquela que nos rodeia, mas ao menos com esses, sejamos uma família aberta. A alternativa é ser uma família fechada que começa logo com a mentira de não ter problemas, porque não os partilha, porque não deixa que ninguém os conheça, para que não digam que têm "defeitos". Depois disso vem o egoísmo de pensar que os filhos que têm são sempre melhores do que os outros, ainda que seja evidente quando assim não é. Mais do que este egoísmo, perturba-me aquele outro que deixa de dar aos outros para dar aos deles, ainda que não lhes seja de direito; ao invés de se partilhar por todos o que é de todos, não, tenta-se sempre desviar para aqueles, que são os especiais, porque são "os da família". Pois evidentemente que se quer sempre o melhor para os que trazemos mais dentro do coração, mas não se prejudica ninguém por esse motivo. Pode não se favorecer o outro em prol daqueles que mais amamos, mas também não se vai magoar o outro que, se pararmos para pensar - mas aqui é preciso, lá está, pensarmos um bocadinho nos outros, o que nem todos conseguem! - também há-de ser muito querido por/de alguém.
E depois? Vai-se andar a vida toda atrás deles? Daqueles que são "especiais" porque são da família? É que depois eles crescem e vão ter eles próprios famílias fechadas, só os braços é que alargam, para cercar aquela gentinha "especial", que têm que ser todos muito protegidos porque sabem mais do que os outros, sabem que são "especiais". Esta mesquinhez enoja-me. E entristece-me saber que hoje em dia há cada vez mais famílias assim. Tenho pena deles, que não sabem como é bom poder fazer crescer a família sem ter necessariamente que partilhar o sangue, mas antes o coração que o bombeia...e esse sim, é um sentimento especial.
Eu sou muito feliz porque tenho uma família grande, cheia de pessoas com o mesmo sangue que eu e outras tantas que conheci por aí, pelas estradas da vida e que ainda hoje são da minha família aberta. Sejamos abertos, de mente e de coração.

Friday, October 14, 2011

Contado, ninguém acredtia.....

Qual é a probabilidade de acordarem de manhã, abrirem a porta do terraço, e terem um cão no vosso terraço? Bastante alta se tiverem um cão, claro está! Mas muitíssimo reduzida se na noite anterior não estava lá cão nenhum! Pois bem, hoje de manhã saio para o terraço de alguidar em punho e eis que me deparo com um cão de porte médio, orelhas grandes e ar amoroso, a dormir em cima da roupa que tinha deixado estendida na noite anterior. O estendal estava tombado, as toalhas no chão e ele a dormir em cima delas. Quando me viu, ficou desconfiado, mas continuou deitado. Eu tive vontade de entrar e voltar a sair (à la informática), para ver se havia ali algum problema com a matriz :) Tinha sono, mas não justificava aquela "visão". Enfim, fui buscar a comida do Zero e pensei em dar-lha, aproximar-me dele, fazer-lhe umas festinhas e depois ajudá-lo a sair, para ir à vida dele, que também devia ter mais que fazer do que estar ali! Quando segurei a maçaneta da porta e ele percebeu que me ia aproximar, começa a rosnar e a ladrar e ao mesmo tempo a tremer como varas verdes. Eu, que conheço o caso do anão e do gato que tinha a bactéria da meningite e lhe ferrou uma mão - só histórias! - e sendo este um cão e não um gato, achei melhor manter a porta fechada. Enquanto isso, o terraço estava nojento e as minhas toalhas ali no chão, no meio daquela imundice toda...
Aqui no trabalho o pessoal diz que o cão teve uma noite difícil, bebeu de mais, perdeu-se, caiu do muro para dentro do terraço e hoje de manhã abriu os olhos e pensou "Onde é que eu estou?" :) Que caiu do muro, é um facto, porque se fosse um gato não caia, saltava lá para dentro com a mesma facilidade com que saía, já um cão não, alguém o tem que tirar porque o menino caiu.....tsss, tsss....

Enfim, para melhorar ainda mais a história, quando ligámos para a câmara municipal, para pedir que o canil municipal recolhesse o animal, do outro lado do telefone estava um senhor simpático que nos dizia que tem muita pena, mas a carrinha que anda no exterior é só uma e que por isso só a tem na terça-feira à tarde e que só nessa altura, se não acumular muito trabalho entretanto, pode levantar o animal. Parece anedota: "Olhe, fique com o bicho aí preso no terraço até terça-feira".....são só 5 dias!!! Nem vou pôr a questão se fosse outro animal qualquer ou noutras condições, mas enfim....

A sorte (e agora é a parte extremamente irónica) é que a vizinha do lado tinha feito o favor de nos denunciar a cobertura que colocámos há pouco tempo no terraço. Vizinhos assim, está bem! Só não está bem a ver é quem é que veio chatear, mas tudo bem, vamos fazer por lhe mostrar e já não falta muito. E assim sendo, com este favor amoroso que a nossa querida vizinha do lado nos fez, tivemos esta semana em casa dois agentes da Polícia Municipal em nossa casa que, não só estavam muito habituados às "peculiares" denúncias que a senhora faz (muitas vezes, ao que parece!!), como também estavam muito habituados a situações destas, de terraços e coberturas. Posto isto, ainda foi uma sorte ter ficado com o número dos agentes e poder-lhes ligar hoje a pedir a ajuda para mais um acontecimento no nosso terraço. É tudo uma questão de perspectiva, afinal a senhora ainda nos fez um grande favor - só para que não hajam dúvidas: continuo a ser irónica.

Mas a história já vem de trás, porque numa tarde de sol o vizinho de cima bate à porta a perguntar se tínhamos répteis em casa. O_O ora, o J. ficou a olhar para ele com aquele pensamento óbvio: Andaste outra vez a fumar daquelas coisas. O que era, efectivamente, verdade, já que uma vez por outra apareciam umas beatas no chão do nosso terraço que denunciavam (este verbo hoje está aqui em grande!) o rapaz. Ele respondeu então que não, não tínhamos répteis como animais de estimação, ao que o rapaz respondeu que tinha visto uma cobra dentro do nosso terraço. o_O Não sei se ele achava que tínhamos uma cobra e que de vez em quando a "levávamos à rua", qual bichano amoroso que gosta de apanhar ar e brincar com os donos ao ar livre. Novamente o pensamento de "quanto será que ele tinha fumado para ver aquelas coisas". Mas o rapaz que já devia ter adivinhado este tipo de pensamentos nas nossas expressões, deu-se ao trabalho de fotografar a cobra - ou isso, ou porque ele mesmo não acreditava no que estava a ver... - e por isso, ficámos com a foto para prova do facto. Mas enfim, a cobra "rabeou" até encontrar o esgoto da água e foi à vida dela, já o cão.....ou ganha asas e voa ou pelo esgoto não me parece que saia.

E pronto, o nosso terraço é motivo de muitas e muitas histórias, como podem ver, e mais não vos contei as das ratazanas..........mas essa fica para outro post que agora é hora de almoço e pode cair mal.....


Haja histórias para contar!

Tuesday, October 11, 2011

Um erro comum

Se há pessoas que agradecem quando as corrigimos, outras há porém, que ficam a desejar que não existíssemos naquele momento. Nem sempre é fácil ser-se corrigido, mas é sempre uma nova oportunidade de aniquilar para sempre aquele erro. Refiro-me a erros gramaticais, de português corrente, falado ou escrito. Um erro muito comum é o "houveram muitos problemas hoje", porque realmente os problemas existiram, mas não "houveram". Até pode não "soar" bem, mas a forma correcta é "houve muitos problemas hoje" (e só não soa bem, porque não estamos habituados!). Isto porque o verbo haver é impessoal quando aplicado no sentido de existir, acontecer, e assim sendo, não tem sujeito e deve ser sempre empregue na terceira pessoa do singular: houve. No entanto, a palavra houveram existe e pode ser utilizada, mas apenas no sentido de ter, como por exemplo "Houveram de esperar muito tempo" - e outra vez, não soa bem, mas não quer dizer que esteja incorrecto.

Sempre a aprender, ahn?? :)


Meus amigos, isto é quase serviço público :P

Mas afinal, o que vai acontecer?

O meu afilhado do coração, começou a pensar sobre o assunto e não percebia muito bem o que ia acontecer e porque é que de repente toda a gente falava tanto no casamento da madrinha. Veio perguntar-me:


Ele - Oh madrinha, mas afinal o que vai acontecer?


Eu - Então, a madrinha vai casar, vai haver uma grande festa, onde vamos estar todos e vai ser muito divertido.


Ele - E eu também vou a essa festa?


Eu - CLARO que vais amor!! Então tu depois até vais lá ajudar numas coisinhas e tudo....


Ele - Então e mas e depois disso, o que é que vai acontecer? O que é que vai mudar? Tu vais-te embora?....


Eu - Não amor, não me vou embora! Não vai mudar nada aqui em casa, só que a madrinha e o J. agora são uma família pequenina dentro da nossa família grande....


Ele - Ah....é só isso....


E lá foi jogar à bola, um tanto ou quanto pensativo.

Passados uns dias concluiu para o pai:

Ele - Olha pai, afinal sempre é bom a madrinha ir casar com o J, porque depois eles têm filhos e eu ganho primos.



É uma perspectiva optimista: todos ganham, não há que ter medo. Desde que ninguém se vá embora, está tudo bem. É muito simples o mundo das crianças, nós é que o complicamos com a teimosia de crescer.
Ver tudo com o coração. Era o que todos devíamos fazer, sempre. Não é com os olhos, que estão perto do cérebro, é com o coração.

Outra vez...

Não pára de me surpreender este Jójó....



O fim
Ontem julguei ter visto a luz
Nas horas brancas conduzi o despertar
E fui subindo a escada
Que me separava do meu fim
Abandonei quem já passou
Fechei os olhos e previ o que encontrei
E foi nesta viagem
Que percebi que não estou só



Não encontrei o vídeo, procurem vocês....também têm que fazer alguma coisinha, não??? :p

Thursday, October 06, 2011

Um amor impossível

Chama-se Zero. É amoroso, felpudo, brincalhão, faz muito ron-ron e ainda por cima não se importa que lhe aperte a barriga!!! Não podia ser melhor!




A idéia era termos o Zero e o Um e com isto sermos geeks até nos nomes que damos aos nossos animais de estimação, mas como o próximo disponível é uma gata, resolvemos passar ao feminino que, como toda a gente sabe, é Uma. O gaijo diz que devia ter H para ficar mais in.

Nem toda a gente sabe, mas a verdade é que sou asmática e uma das coisas que me provoca asma, é mesmo o gato. Nem todos, é um facto, mas trazer o Zero cá para casa foi mesmo isso, um risco. A C. veio para jantar e trouxe o Zerinho, aproveitámos para estrear o terraço com um fondue delicioso - mesmo a calhar! No final do jantar, sem ter muito contacto com o Zero, já a minha respiração era mais presa e já tinha que fazer mais força para respirar. Ao final da noite já tive que recorrer à bomba e ficar deitada na cama para não me esforçar. Respirar devagar, manter a calma e beber um café - ou descafeinado - pois ajuda a dilatar os alvéolos pulmonares. Pior que ontem foi hoje. Há muito tempo que não me sentia assim, fazer força para respirar e o ar que nos entra nos pulmões não é suficiente, as lágrimas corriam-me de desânimo e desgosto. E o ar pouco e sofrido a entrar no peito. Os pulmões a doer da força que fazem para respirar, e o barulho do ar a entrar pelos brônquios inflamados que o apertam e não o deixam passar. Todos os fumadores deveriam ter uma experiência assim, para poderem dar o devido valor ao sistema respiratório que têm e ao precioso ar que respiram, todos os dias, sem qualquer esforço. O dom da vida, que desperdiçamos todos os dias.
O Zero vai amanhã embora, provisoriamente, quero pensar. Entretanto vou consultar um especialista e perguntar-lhe se consigo, com o tempo e alguma ajuda, ganhar defesas. O facto é que toda a minha infância vivi com gatos, entre crises de asma e vacinas de combate à alergia, lá ia crescendo, sem ter a noção de que isto ia viver comigo todos os dias. Foi o meu avô que me deixou esta herança, pai da minha mãe que trabalhava numa oficina e era alérgico ao óleo :/ Eu não me posso queixar, comparativamente, já que hoje temos vacinas, anti-histamínicos, bombas, comprimidos e outra catrefa de coisas que podiam ter ajudado o meu avò a trabalhar mais e melhor. Portanto, o erro foi mesmo deixar de os ter por perto, os gatos, já que por último já não tinha qualquer reacção, o corpo já se tinha "habituado" e ganho algumas "defesas", não todas, mas as suficientes para agora poder ter um gato em casa e conseguir respirar ao mesmo tempo, como as pessoas normais.
Ficam as memórias da Mimosa (para sempre!), uma gata que viveu comigo dezoito anos, que me seguia para todo o lado, que sabia todos os meus segredos, que estudava e dormia comigo, que chegou a ter gatinhos em cima da minha cama e debaixo dela, no meio dos sapatos. Não havia alergias que nos separassem. Foram dezoito anos, como posso não me lembrar? Como posso não conhecer as manhas, os gostos, os feitios, as particularidades desse curioso animal que é o gato?

Esta limitação que trago no peito, esta caixinha que nem sempre funciona, faz-me pensar como somos pequeninos e frágeis e como decidimos tão pouco da nossa vida. Hoje é um dia triste.