Tuesday, December 21, 2010

A vida é uma estrada bifurcada

Já cantava o outro. Mas não é. Às vezes é mesmo só uma única estrada e vais nesse sentido com um empurrão que não viste chegar. Quando vês já estás a rebolar, a cair a pique, a sentir as pedras e a areia a baterem-te por todo o lado; e o teu corpo dói, tudo o que é teu dói, mas continuas a cair e não sabes quando vais parar; sentes as nódoas, negras ou não; sentes os ossos que partem, a pele que rasga, sentes o sangue a fugir-te, e continuas a rebolar cada vez mais depressa; proteges a cabeça, a cara, com as mãos que sangram o negro do pó, aquela mistura escura que és tu e a terra ao mesmo tempo. Finalmente páras. À tua volta há uma nuvem escura, um cheiro quente e tudo dói. Tanto. Choras. De dor, de desespero, de revolta, de indignação, de incompreensão, de injustiça......choras como uma criança porque nada depende de ti. E ali estás a sarar as tuas feridas, aquelas que não são só tuas e que não se devem a ti. É isto a vida, é um vale de lágrimas; é dor, sofrimento e mágoa. E o que fazemos com estes sentimentos, só depende de ti. Depende do tempo que demoras a levantar-te, a sacudir o pó, a sarar as feridas, a lamber o teu sangue, a limpar a pele e a estares pronto para a próxima queda. Porque ela vai chegar. A vida é isto e afinal depende de ti.
Dizem-me que sou forte, mas eu não fiz nada para ser. Não sou uma super-mulher, tenho uma super-família que me fez ser assim, forte, segundo dizem. Não sou forte, sou transparente. Choro quando tenho que chorar, e teimo em não chorar quando não tem que ser. Não sou forte, acredito em Deus. Acredito que nada acontece por acaso, que não temos apenas a nossa vida para viver, mas um cruzamento delas, um infinidade que Ele nos permite cruzar e que, se assim é, temos que poder contribuir, temos que conseguir ajudar, temos que ser positivos. Não sou forte sou determinada. Sou persistente quando sei que posso fazer alguma coisa para tornar a tua vida um bocadinho melhor, quando vejo que te posso ensinar alguma coisa, que te posso dar a mão e ser melhor, ainda que tenha que doer um bocadinho. Não sou forte, tenho fé. Tenho fé que a vida não é só isto, não é só agora, não é só o que vemos e o que conseguimos agarrar. Não sou forte, apenas amo incondicionalmente, sem medo, sem esconder que o sinto. Não sou forte, apenas sou eu própria.

Vamos lá a sacudir o pó.

Saturday, December 11, 2010

O velho, o menino e o burro

A sabedoria popular não só é a mais antiga, como maioritariamente, a mais verdadeira. No que toca a ditados, provérbios, dizeres e histórias antigas, a minha MEGA mãe, está sempre muito à frente. Quando me conta uma história ou um dizer antigo, termina sempre com a máxima: "Porque é que o diabo sabe muito?" e a resposta já a sei há muitos anos: "Porque é velho!", embora no caso não se aplique porque, como ela própria me ensinou, "velhos são os trapos". Dados os acontecimentos dos últimos dias, a MEGA mãe voltou a contar a história do velho, o menino e o burro; reza mais ou menos assim:

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O velho, o menino e o burro iam fazer uma grande caminhada; o velho colocou o menino em cima do burro e partiram. Passaram por um grupo de pessoas que comentaram:

- Ali vai o menino, com boas pernas para andar, em cima do burro; e o velho, a pé!

Ao ouvir aquilo, o velho ponderou e decidiu ir ele em cima do burro e o menino a pé. Mais à frente, encontraram outro grupo de pessoas que comentavam:

- Ali vai o menino, coitadinho tão pequenino, a pé; e o velho em cima do burro!

O velho, ao ouvir aquilo, colocou também o menino em cima do burro, convencido que não haveriam mais comentários. Mais à frente, um terceiro grupo de pessoas:

- Ali vai o animal, coitado, carregado com os alforges, e ainda leva o menino e o burro em cima!

O velho então, agarrou no burro e, com a ajuda do menino, levaram-no às costas. Mais à frente um outro grupo de pessoas comentou:

- Aqueles são tolinhos, levam o burro às costas e vão eles a pé!?!?

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A moral da história já todos devem ter percebido: façam vocês o que fizerem, nunca conseguem agradar aos outros. E se para uns isto é muito óbvio, para outros nem tanto. Perdoem-me a sinceridade, mas os outros, que vão à merda se não tiverem uma palavra amiga ou um sentimento quente para transmitir.

Tenho dito.

Friday, December 10, 2010

Quero dizer-vos

Obrigada. Por todas as lágrimas, abraços, beijos. Por não terem julgado. Por acreditarem em nós. Por terem sido amigos quando realmente precisámos. Obrigada pela força, coragem e apoio. Obrigada por terem estado lá, independentemente do formato da vossa presença.


Como o meu MEGA pai diz: é a fé que nos salva. E eu tenho fé que sim.