Monday, July 19, 2010

O sentido da vida

Pedro Paixão disse há dias na rádio algo sobre o "sentido da vida" que me ficou no pensamento. Para ele - que é como quem diz, na sua opinião, o que não significa necessariamente que o cumpra - a vida não tem qualquer sentido, e todos passamos grande parte dela a procurar um qualquer sentido. Quando a maioria das pessoas diz que o importante "é ser feliz", ele diz que a vida não pode depender da felicidade, já que esta não é controlada inteiramente por nós. Dramaticamente deu o exemplo da morte de um filho: "se me morre um filho, como é que eu posso ser feliz?", dizia. Ora é um facto que a nossa felicidade não depende exclusivamente de nós próprios, o que não é o mesmo que dizer que nada podemos fazer para ser felizes, porque podemos. A diferença está na forma como lidamos com o que nos acontece sucessivamente sem o nosso controlo, a diferença está na atitude. Realmente se morrer alguém de quem eu gosto muito, não vou ser a mesma pessoa, não vou ser tão feliz como antes de isso acontecer, mas posso tentar, posso descobrir novas formas de viver, posso inventar um novo "formato" de felicidade. E isto leva-me a outra situação que ouvi relatar na rádio, quando se falava da morte. Num trágico acidente de carro onde estavam cinco pessoas, sendo uma delas uma criança, apenas uma mulher sobrevive. Essa mulher viu morrer o marido, o irmão, a cunhada e a sobrinha. Conta que "reinventou" esse dia na sua vida para que o pudesse "ultrapassar". Conta hoje a história assim: "Nesse dia morremos todos. Chegámos os cinco ao céu e pensámos nos nossos pais, nos nossos amigos, irmãos, tios, primos....em todas as pessoas a quem íamos fazer tanta falta. Decidimos que alguém tinha que voltar para apoiar e consolar os pais que ficavam sem os dois filhos e a neta, os irmãos que ficavam agora sozinhos e toda a família que sentia uma dor enorme. Decidimos que iria o mais forte. E a mais forte era eu." E assim esta mulher reconstruiu a sua vida, transformou aquele dia para criar força dentro dela, para tentar ser feliz. Nunca se ultrapassa, nunca se é a mesma pessoa, mas sendo outra, ainda se pode ser feliz. É nestas pessoas que devemos pensar quando tudo á volta deixa de fazer sentido - se é que alguma fez. É nesta capacidade de "reinventar" a vida que devemos confiar, é em nós mesmos, ainda que nada se mantenha igual, ainda que nada vá de encontro ao que esperamos. Há que experimentar de novo, viver de novo, tentar de novo. Sempre e outra vez.

Ninguém nos disse que a vida ia ser fácil. Pelo menos a mim ninguém me disse. Não conto que seja.

6 comments:

Daniel Non Sense said...

O sentido da vida é procurar um sentido para a mesma. Existe a constante necessidade de remar em prol de algo... Porque sinceramente, apenas respirar e preencher as necessidades básicas que permitam a nossa sobrevivência jamais será suficiente.

Cair e levantar é uma boa filosofia de vida... desde o bebé mais pequeno que mal se aguenta em pé, até ao bêbado extremo que "escorrega" na calçada ;)

Di said...

Mais que uma filosofia de vida, cair e levantar, é a própria vida. Faz parte e por mais que achemos que controlamos ou mandamos ou decidimos, continuamos a cair sem muitas vezes darmos por isso!
Por isso vamos lá a sacudir o pózinho dos ombros e a levantar outra vez que amanhã também é dia :)

Daniel Non Sense said...

Falas na perspectiva de um bebé de colo, ou na de uma bêbada extrema? :)

Di said...

Eu acho que os bebés de colo não sacodem o pó dos ombros....parece-me........ :P

Luis said...

Tinha algumas coisas para dizer em relacao a este post que, para ser sincero, esta muito bem apanhado. Mas acho que ficarias com um comentario maior que o proprio post.

O sentido da vida e' uma questao filosofica demais para mim... E filosofia da-me sempre uma estranha vontade de cortar os pulsos.

Em relacao aos acontecimentos durante a tua vida e, muito resumidamente, queria dizer isto: Nao importa o numero de vezes que te magoas durante a vida... O que importa e' quantas vezes consegues combater a magoa.

Penso eu de que...

Di said...

É verdade sim senhores, é tal&qual isso. A diferença está na atitude. Está em podermos pensar que foi bom porque aprendemos algo, porque vivemos essa experiência, porque ficámos a conhecer um pouco mais de nós e porque vivemos a situação. A mágoa passa porque o tempo cura tudo.
Enfim, o post não é sobre nada em particular, é sobre tudo no geral :) É sobre a vida e o sofrimento que lhe está aliado, inevitavelmente.

Mas deixa lá esse MEGA comentário, se é por uma questão de espaço, eu compro uns gigas aos senhores googolinos, só para publicar o teu comentário!! :D Ou isso, ou publico mesmo como post, ahn, ahn?!? :)