Sunday, October 19, 2008

Eternizar

Há histórias que merecem ser eternizadas. E aqui está uma boa forma de as eternizar: escrevê-las, permitir que existam para lá da memória.

Esta história passa-se com o grupo de amigos do liceu, há muitos (muitos!) anos. :D (era ainda uma criança, como canta o outro...)
Salvo erro foi na Páscoa (ou na passagem de ano??), e a malta decidiu ir passar uns dias ao Algarve, já que um dos amigos tinha uma casa em Albufeira, mesmo rente à rua dos bares.....ora isto aos 16 aninhos, nem é preciso dizer mais nada! E lá fomos todos, muito contentes!
Numa das muitas noites de farra, daquelas mesmo pesadas, onde o jantar era mais bem regado do que alimentado, estávamos já todos "muito à frente" a dançar num bar muito barulhento (como todos!), e heis que o meu primo, que também constava do grupo, me vem dizer que já não aguentava mais, que tinha que ir para casa porque o mundo de repente tinha insistido em começar a rodar a uma velocidade alucinante e ele não o conseguia acompanhar. Eu fui até à rua com ele, insisti para que ficasse, que estava tudo bem, que aquilo já passava, que bebesse mais uma porque aquilo já era ressaca! E ele lá ficou, com a cabeça entre as pernas, a pensar naquilo :D O desgraçado lá ficou um bocadinho melhor e quando veio ter comigo a segunda vez, já vinha mais a direito, mas mesmo assim, já estava decidido a ir para casa. Ora, eu, que não estava melhor, na minha cabeça o que ficou foi o movimento do meu primo, que se baixa, levanta-se e tem umas chaves na mão. Dá-me as chaves. E diz qualquer coisa que me foi completamente impossível quer de ouvir, quer de perceber. Vamos lá ver....eu não estava melhor que ele, e por isso na minha cabeça (ou no que restava dela) ficou a ideia de que ele tinha acabado de encontrar umas chaves e que queria que as guardasse.....e o que é que uma pessoa civilizada e preocupada com as outras, faz??? Vai entregar as chaves ao DJ e diz que encontrou no chão e que pode fazer falta a alguém. Muito orgulhosa, volto para junto do resto do grupo e continuo a dançar. Entretanto bebo outra, que tanta consciência deu-me sede. :) Continuo a dançar e durante a noite, de vez em quando lá se ouvia o DJ a anunciar que "foram encontradas umas chaves....um porta-chaves branco, com cores....." e voltávamos a dançar. Outras músicas passavam, e lá vinha o DJ "continuam as chaves, talvez alguém precise delas...." e nós na boa, a "curtir" muito. Até que....uma das minhas amigas volta à pista, e diz "Di, temos que ir pôr o teu primo a casa que ele já nem anda........" E eu, que nem sabia que ele ainda lá estava, saio do bar e vou ter com ele. Realmente não andava.....coitadinho do primo....e pesado que ele era! E digo "Ok, vamos para casa, eu levo-o, dá-me as chaves de casa então." Ao que ela responde "Mas Di, ele disse que tas tinha dado....." E pronto.........heis que surge aquele flashback na minha cabeça e começo a ver o meu primo a levantar-se do chão, com umas chaves na mão, depois eu a dar as chaves ao DJ e finalmente, todos os anúncios feitos durante toda a noite a essas mesmas chaves..... :S Enfim. Depois de explicar isto tudo e de toda a gente se ter rido muito, lá os convenci que tinha uma cabeça tão gigante que não ia conseguir ir ter com o DJ para lhe pedir as mesmas chaves que lhe tinha entregue. Epa não! E pronto, ficou esta história eternizada e sempre que a malta se junta lá vem a frase "lembras-te daquela vez que a Di deu as chaves ao DJ??"....sim lembro.....
Também, ninguém reconheceu o porta-chaves durante toda a noite.....não era só eu que estava mal!!! Era?....

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