Friday, July 18, 2014

Fechada

E fechada a porta, espero agora que se abram muitas janelas, portadas, postigos e tudo o mais por onde possa passar. M de Mais ou Menos, de Mãe, de Madrinha, de Melhor, de Maria. Ironicamente vim parar à fracção J que quero acreditar que seja de Juventude. Irónico, mas a vida tem destas coisas. O blogue esse, também vai fechar, com a mesma idade de tudo aquilo que tenho para deixar para trás, precisamente sete anos.



E curiosamente - e uma vez mais, ironicamente - termino como comecei , há sete anos atrás..... parece que as palavras não perderam o sentido.


Quebrar...

Quero dizer-te que foi bom ter quebrado, na altura certa...tenho cá tudo guardado e foi positivo.

Agora que parti...

Foi tão bom ter-te perdido
Como ter-te encontrado.
Tudo o que tinha vivido,
Fica agora muito mais marcado

No meu viver, conhecer,
Na minha experiência de amar
Em todo o meu poder
Perdoar....

Na verdade, houve um dia
Que não fui tua, de ninguém.
Apenas pedia...
Que houvesse alguém

Que me ouvisse,
Que acreditasse
No que vivíamos!
Não notando eu

Que não mais eras meu.
Apenas existias ali,
Não para nós,
Para ti.

Um dia decidi partir,
Dizer ao mundo que amar
Não era mais o meu sentir,
Dizer que parar
Não era desistir...

Gosto

Gosto daquela batida baixa, seca, funda. Gosto daquele som igual e sequencial que vai diferindo aos poucos, como se a descobrir qualquer coisa. Gosto de pouca luz, de média luz e um copo de vinho tinto. Gosto de amarelo. Gosto do meu espaço e do silêncio que só se instala se eu deixar. Gosto desta sensação de escrever, do conforto que a escrita me traz. Gosto do calor na areia nos pés, quando os enterro nela. Gosto do sol a aquecer-me a pele. Gosto do arrepio que isso me causa. Gosto do cheiro da noite, o escuro e molhado.Gosto de me imaginar noutros sítios quando estou aborrecida. Gosto de pensar que posso fazer tudo e que apenas eu própria posso ser o meu limite. Gosto.

Friday, June 27, 2014

O tempo não pára.....

E ironicamente este ano sai esta música:



E logo com este título! É o universo a conjugar-se para nos dar subtis lições.... ou meras coincidências que gosto de transformar em pequeninas aprendizagens. Esta é daquelas que parece escrita para mim, há fases na vida assim, em que todas as músicas parecem escritas para nós. Ou sou só eu a pensar assim? Ora vejam lá:


Eu sei
Que a vida tem pressa
Que tudo aconteça
Sem que a gente peça
Eu sei
Eu sei
Que o tempo não pára
O tempo é coisa rara
E a gente só repara
Quando ele já passou
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar p'ra ti
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui





Thursday, May 15, 2014

Um dia vou olhar para trás e dizer "Como é que eu fui capaz...?". Começa a instalar-se essa noção, aos poucos.

Friday, May 09, 2014

Não é definitivo

Na viagem para a neve, e com muita sorte, a carrinha avariou, pelo que tivémos muito tempo para conversar. E conversar é com ele, tem sempre qualquer coisa para contar! Começa sempre as frases por "Olha madrinha, sabes..." e fica muitas vezes com aqueles olhos grandes e brilhantes perdidos no pensamento, enquanto constrói a frase e organiza o pensamento. Dessa vez não foi diferente:

"
Ele - Olha madrinha, sabes, uma vez, estava na praia com a M. e encontrámos um provisório!
Eu - Um quê?
Ele - Um provisório, não sabes o que é??????
Eu - Não, não estou a perceber o que é.......
Ele - Aquela coisinha que até tem uma borrachinha enrolada na ponta....!!!!
Eu - AH, um preservativo!
"

E foi a gargalhada geral! Quando lhe perguntei se sabia para que era, respondeu-me descontraído que era para fazer "o sexo"; garantiu-me que não lhe tinham tocado, só um pau que tinham ido buscar para o efeito. Ainda lhe falta descobrir muita coisa, mas do alto dos seus dez anos está cheio de certezas.

Thursday, May 08, 2014

Your hand in mine

Quero guardar este som, por isso vou deixá-lo aqui:


Tem um quê de força e de mão apertada. Apertada.

Sunday, May 04, 2014

Não há nada que os amigos não curem

Tem sido a máxima nos últimos cinco meses (já lá vão cinco meses). É por isso que não estou doente, porque temos amigos que me curam, tenho amigos que só precisam de existir, de estar, de aparecer. Temos a cumplicidade de quem troca palavras com o olhar e o à vontade de quem diz o sente e não apenas o que pensa. Temos amor de verdade. Este fim-de-semana foi assim, feliz. Os primeiros dias de sol dos últimos cinco meses (e já lá vão cinco meses....). Há coisas que nunca mudam e pessoas que nunca falham e é por isso que eu me levanto a cada queda, é por isso que não me falta a força e a vontade de continuar.
Vou guardar o som das ovelhas a ecoar, o barulho da água a bater na margem, o sol quente e brilhante, a melodia da viola, as estrelas no céu, as gargalhadas soltas, a paisagem, o Alentejo. Vou guardar Évora que, como dizia o Pintinhas, é melhor do que tudo e vale sempre a pena recordar.
Memória substituída. Ou pelo menos quase!



Tuesday, March 25, 2014

É cedo. Para querer, para concretizar. Ainda há uma montanha russa de emoções, de incertezas e indefinições, como que vento na cara, dor na barriga, medo, euforia, entusiasmo, queda livre. Tudo ao mesmo tempo. É cedo. Um dia vai deixar de ser.

No tempo da escola

Quando fui para o ciclo o meu pai trabalhava nessa mesma vila onde a minha escola existia. Desde aí que partilhamos hábitos de viagem. Saíamos muito cedo e quando o tempo era mais frio, o vidro do carro tinha uma crosta de gelo colada que o meu pai desfazia com a água da mangueira que estava sempre ali à mão; às vezes tinha que ir buscar água morna, que a fria não fazia o gelo derreter. Lembro as manhãs geladas, mas de sol; lembro as ervas verdes na beira da estrada como que cristalizadas pela geada; lembro as mãos geladas que esfregava uma na outra para aquecer; lembro o cheiro do frio e da névoa que de manhã ainda se fazia sentir.
Fazíamos as viagens numa 4L branca que o meu pai chamava de "carro de assalto" porque, dizia, andava por todo o lado. Por vezes atalhávamos caminho por uns campos com searas altas ou por terrenos plantados de oliveiras onde volta e meia ficávamos atascados. Depois era chamar quem por ali andasse a cultivar ou a passar na estrada, levantava-se o braço e sempre parava alguém; uns traziam umas tábuas, outros empurravam e de lá se tirava o "carro de assalto" com muitos agradecimentos e alguma conversa. Às vezes ainda vinham umas couves ou uma galinha que chegavam com as tábuas e que acabávamos por aceitar. Eu soprava porque a idade não permitia outra coisa; refilava muito e aborrecia-me de chegar tarde a casa e de termos sempre que experimentar os caminhos novos porque eram mais curtos. Hoje vejo que nada era um problema, ninguém era estranho e não havia nada que não se resolvesse.

Levávamos sempre o tempo contado e chegar atrasado era só se fosse depois da hora da aula começar; se a aula começava às nove, só estávamos atrasados às nove horas e um minuto, antes disso ainda íamos a tempo. Fazíamos sete minutos do cruzamento à entrada da escola; não eram cinco, nem dez, eram sete. O relógio estava sempre certo e ia como bússola, central no carro, mas não era o suficiente para chegarmos a horas, ou melhor, chegávamos sempre a horas, nunca atrasados. Eu já sabia que tinha que sair a correr e ir directa à sala. Via o horário na capa do caderno para saber qual era o número da sala e tinha tudo pronto nos sete minutos para não demorar ainda mais a sair do carro. Lembro o calor que deixava dentro do carro e o frio que se voltava a sentir fora dele.

Regressávamos à noite. Fazia sempre um esforço por não adormecer para ele não ter que fazer a viagem sozinho, então conversávamos sempre muito. Nem sempre resultava e por vezes o cansaço vencia, principalmente na altura dos exames, então ele desligava o rádio para não fazer barulho e nunca, nunca me acordava.

E assim se passaram oito anos, sem existir rotina porque as aventuras eram sempre muitas. Havia sempre espaço para o próximo, para pensar no bem estar do outro; os meus amigos eram os nossos amigos, quem ia lá a casa era da família e toda a gente se sentia lá bem. São tesouros em forma de memórias, são momentos que definem o que somos, são recordações que trago sempre comigo e que ainda hoje me ensinam tanta coisa. Só atascamos se deixarmos, se baixarmos os braços em vez de os levantar, se não estivemos atentos o suficiente para saber usar uma tábua. O problema só passa a existir quando desistimos de procurar a solução, mais ou menos à mesma hora que estamos atrasados.